Regulamentação do tow-in em foco
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Conversando com Carlos Burle sobre sua última viagem à África, onde Burle e Maya surfaram ondas gigantes na Cidade do Cabo, foi levantada uma questão muito importante e extremamente providencial durante o papo: as leis que regulamentam o tow-in na África do Sul.
Ás vésperas do swell gigante na África, Maya teve que embarcar uma semana antes a fim de se habilitar a pilotar o Jet ski na Cidade do Cabo. Caso não fizesse isso, ela estaria impossibilitada de praticar o surf rebocado em águas sul africanas. “Estudei dois dias inteiros e fiz minha prova. Depois de devorar um manual de 90 páginas em inglês, passei na prova com 93% de acertos”, relatou a tri-campeã.
O fato é que, segundo as leis vigentes em território sul africano, para conseguir a habilitação e praticar o tow-in, é necessário que o candidato já tenha surfado ondas grandes na remada por duas temporadas na região, além de estudar minuciosamente um manual com 90 páginas para fazer a prova escrita. Não adianta ser experiente, já ter pilotado em Jaws, Mavericks ou em outros picos extremos, se não se enquadrar nas leis locais nem praticar o surf rebocado na África do Sul.
Outra iniciativa que envolveu o surf rebocado aconteceu na Califórnia. Na baía de Monterrey, onde se localiza o pico de Ghost Trees, a utilização dos Jet skis foi expressamente proibida por questões ambientais, deixando fora do circuito um dos picos mais badalados dos últimos anos. Já em São Francisco, local em que esta situada a onda de Mavericks, o tow-in ficou restrito aos dias de “high surf advice”, ou seja, quando as condições do mar tornam impossível o surf na remada.
Aqui, no Brasil, onde temos campeões mundiais e dez duplas de tow-in entre as 20 melhores do mundo, a modalidade vem crescendo bastante, levantando questionamentos diferenciados do que acontece na África e nos Estados Unidos. Oficialmente, no Brasil, só se pode trafegar com o Jet a 200 metros da praia, o que teoricamente impediria a prática do tow surf.
Consultamos o presidente da ABRASMO (Associação Brasileira de Surf Motorizado), Romeu Bruno, sobre a atual situação da modalidade no Brasil e o que está sendo feito para regulamentar a prática. Segundo ele, a ABRASMO vem trabalhando em conjunto com a Marinha para adequar o esporte a NORMAM 3 (Norma da Autoridade Marítima) – que trata da segurança do tráfego aquaviário de embarcações de esporte e recreio – que, atualmente, encontra-se defasada em relação ao tow-in, pois foi regulamentada em 1997.
Ainda segundo Romeu Bruno, um dos fatores positivos a favor do tow-in é que o Jet ski é visto como uma ferramenta de resgate e não como um brinquedo como antes. Para isso, ele ministra cursos de resgate e tow-in em todo o Brasil, utilizando técnicas que trouxe de órgãos e empresas específicas na atividade nos Estados Unidos, como A K38 – www.k38watersafety.com.
Romeu está envolvido também na criação da Associação Internacional de Tow-In Surf, que futuramente deverá ter como presidente o havaiano Tony Moniz e o californiano descobridor de Mavericks, Jeff Clark, como vice. A entidade tem como um dos objetivos criar uma carteira internacional de tow-in, adequada às regras de cada local onde se pratica a modalidade, além da criação de um circuito mundial devidamente organizado.
Bom, isso é o futuro. No presente, no Rio de Janeiro, alguns dos maiores nomes do tow-in mundial estiveram reunidos na quinta-feira (10/09/2009). Carlos Burle, Eraldo Gueiros, Maya Gabeira, Rodrigo Resende, João Capilé e Ylan Blank conversaram com tow riders amadores cariocas, como Felipe e Carlos Gama, Bráulio, Leonardo Ferreira, Mario Chady, Marcelo Washington, Renato Phebo, Wagner Beta, além do jornalista Rosaldo Cavalcanti e o vídeo maker Carlos Sanfelice sobre a criação da ACT (Associação Carioca de Tow-in).
A iniciativa partiu do big rider Eraldo Gueiros com o objetivo de regulamentar e debater normas de segurança para a prática mais segura do surf rebocado no Rio. Ao final do encontro, ficou definido que, inicialmente, será criado um estatuto para a oficialização da ACT, que deverá ter Gueiros como presidente.
Go Big!
!versão em português!
Talking to Carlos Burle about his last trip to Africa, when Maya and him surfed huge waves at Cape Town, a really important subject came along during our conversation: the laws that prescribe tow-in surf in South Africa. Right before the swell was about to hit Africa’s coast, Maya had to travel one week earlier just to get her license to be able to drive a jet ski at the coast of Cape Town. If she didn’t do so, she wouldn’t be able to tow in surf in South African waters.
“I studied for 2 days straight and did my test. After I read a 90 pages manual I got 93% of the answers right,” stated Maya.
The fact is, according to effective laws in south african territory, to be able to get a jet ski license and tow surf you must have paddle surfed big waves at least for two seasons in the country, besides studying a 90 pages manual and taking a written test. It doesn’t matter if you’re a great big rider, or even if you have towed in Jaws, Mavericks, or any other big wave surfing spot, if you are not fit into the local rules you can’t tow surf in South Africa.
Yet another measure involving tow surf was taken in California. Monterrey Bay, where’s located a famous big wave surfing spot known as Ghost Trees, jet skis were forbidden for environmental issues. In San Francisco, where’s located Mavericks, tow in was restricted to “high surf advice” days, when paddle surfing is impossible. Here in Brazil, where we have world champions in the category and at least 10 teams among world’s top 20, the number of persons that are involved in the sport rises each year, bringing different questionings about what was done in Africa and North America and how we can use it in our country. Here in Brazil you can officially ride the jet at least 200 meters away from the beach, in theory it would invalidate tow surf in this country.
I consulted ABRASMO’s (Brazilian Association of Motorized Surf) president, Romeu Bruno, about tow-in’s situation in Brazil and what is being done to regulate the sport. According to him, ABRASMO is working with the Navy to adjust the sport in the NORMAN 3 (Marine’s Authority Norm), which has as its main subject how to deal with questions such as waters security, that its previous regulations didn’t bring any mentioning whatsoever to tow in surf. Romeu also said that a positive factor to help the sport’s legalization is that the jet ski is seen as a great rescue tool. He has been training many of the government organs, as lifeguards and federal police, teaching them how to use this tool in many extreme situations, using skills he learned in the United States in companies like K38 – www.k38watersafety.com. He is also working to create an International Tow In Surf Association, that in the future will have Tony Moniz as president and Jeff Clark as vice president. The idea is to have the association to take care of matters such as international tow-in identification, linked to each place laws. And also to create an organized world tour circuit.
But that’s future subjects. Nowadays, here in Rio de Janeiro, some of the world’s tow-in greatest names were gathered last Thursday (September 10th). Carlos Burle, Eraldo Gueiros, Maya Gabeira, Rodrigo Resende, João Capilé and Ylan Blank, discussed with amateur tow riders and people who are involved with the sport the idea of creating Rio de Janeiro’s Tow-in Association – ACT (Carioca’s Tow In Association). They came to the decision that a statute would be written and Eraldo Gueiros would be the ACT president.














Espero que a regulamentação seja feita. Vai representar mais segurança para praticantes e amadores. E mais profissinalismo e reconhecimento para o esporte e para os atletas profissionais. Boa sorte, galera. Abs!
Vamos torcer para que a regulamentação seja feita da maneira mais saudável para o esporte e com respeito a natureza.