Rapa Nui Big Swell
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No início de julho deste ano, dois grandes nomes do surf de ondas grandes brasileiro, Rodrigo Koxa e Alemão de Maresias, partiram rumo ao encontro de grandes ondas na remota Ilha de Pascoa, mais precisamente em Rapa Nui.
Koxa vinha monitorando um swell na região e, quando as dimensões das ondas começaram a tomar forma, os dois embarcaram rumo a mais uma aventura. “No mundo do Big Surf, é difícil fazer cronograma de viagens. Afinal, é impossível saber com meses ou semanas de antecedência onde estarão as próximas grandes ondulações. Hoje, com o auxílio dos mapas da web, os Big Riders conseguem chegar a qualquer lugar do mundo nas vésperas dos dias clássicos de ondas gigantes. E foi assim que, com apenas alguns dias de sobreaviso, nós partimos para Rapa Nui de última hora, aterrissando na ilha junto com o big swell previsto da internet”, disse Koxa. Que ainda contou um detalhe interessante de como decidiu ir nessa viagem.
“Desta vez, eu estava em casa, no Guarujá, assistindo televisão, e a minha mulher, Aline, que estava no computador disse Tem uma bomba indo para a Ilha de Páscoa. No mesmo instante, fui conferir as condições e estas me pareceram tão boas que minha primeira ação foi entrar em contato com meu amigo Alemão de Maresias. Como ele é um profundo conhecedor da região, ficou bastante empolgado com tal swell.”
Os dois, já com a decisão tomada, convidaram o fotógrafo Akiwas para acompanhá-los e foram, então, comprar as passagens para embarcar no dia seguinte. Depois de instalados no local, eles foram a procura das ondas nos perigosos mas perfeitos picos da ilha que variam com ótimas ondas entre 4 a 20 pés.
Confiram os relatos de cada um deles sobre as ondas, o lugar, a sessão e tudo que envolveu essa trip de altas ondas para um dos lugares mais místicos e bonitos do planeta.
Rodrigo Koxa:
PICOS
“Apesar dos locais surfarem várias ondas da região, os melhores tubos – aqueles secos com baforadas – quebravam sozinhas pela ilha, e sempre que eu perguntava de alguma onda quebrando, escutava como resposta: ‘Vai lá amigo, elas estavam esperando você chegar! (risos)’. Os Rapa Nui têm muito respeito pelas ondas, pela ilha e por seus ancestrais, que para eles, estão presentes a todo tempo e em todos os lugares. Nossa idéia era surfar uma onda rara que só quebra quando a ondulação passa dos 20 pés na direção e vento certo. Como os mapas da web previam ondulação de 10 metros por 17 segundos, cerca de 35 pés, estávamos certos que a onda quebraria. O tamanho era suficiente, mas a direção da ondulação mudou na última noite e surfamos a “rebarba” deste swell em um outro pico alucinante da região, que os nossos amigos locais Rene e Wilo nos levaram.”
ESTRUTURA
“Nas condições que se encontravam as ondas, o tow-in foi a melhor maneira de aproveitarmos essa grande ondulação. Nossa estrutura era um jet ski e um barquinho de apoio dentro do mar. Akiwas preferiu fazer as fotos das pedras – garantindo um ótimo trabalho. Com isso a nossa equipe funcionou na maior harmonia.
A ONDA
“A melhor opção do dia foi surfar essa esquerda que quebrava em frente às pedras. A onda era muito rápida e bem pesada, pelo fato da bancada ser muito rasa. Era um mix dos tubos de Pipeline e Teahupoo com o peso e o balanço de Maverick´s. Uma onda de difícil leitura, pois eram dois tubos distintos na mesma onda. O primeiro pico era a maior sessão da onda, com um tubo bem pesado de massa de água que muitas vezes acabava amassando na saída. Em seguida quebrava o segundo pico e este era uma nova sessão, que levantava mais à frente com um tubo menor, porém bem rápido com uma bela baforada.”
DIFICULDADES
“Surfamos de ‘cordinha’ para a prancha não ir para cima das pedras, e isso dificultou o tempo dos resgates, pois a prancha pesada com chumbo acabava ficando de baixo da água bem na hora de subir no Slad do jet.”
ALEMÃO POR KOXA
“O Alemão surfou muito bonito, explorando sempre o limite das ondas. Mostrou intimidade com o pico também quando assumiu a pilotagem do jet, em minha segunda sessão de surf. Obrigado Alemão! Energia muito boa.” TURISMO “No último dia que nos restou desta viagem, aproveitamos para conhecer cavernas místicas, Moais históricos e vulcões onde até hoje existem competições tradicionais locais como a do Homem Pássaro. Também escutamos lendas e suposições contagiantes das antigas civilizações da ilha. Com certeza de todas as viagens que já fiz pelo mundo, em Rapa Nui que senti a mais intensa energia espiritual do ambiente. Olhando tudo o que as antigas civilizações construíram e até hoje permanece na ilha.”
SALDO DA VIAGEM
“Para mim foi missão cumprida. Sou apaixonado pelo compromisso de buscar novos desafios. Foi isso que despertou minha paixão pelo Big Surf e trocar tudo pelo puro prazer de sentir o êxtase em situações extremas dentro do mar é algo sobrenatural. Esse prazer inexplicável de não medir esforços para estar presente em mais um dia especial de altas ondas, é o que nos mantém vivos espiritualmente. Esse surf é a nossa luz, e sendo assim, surfar ondas grandes é a energia que vamos sempre estar buscando, obrigado.”
Alemão de Maresias:
A VIAGEM
“Esta foi minha quinta temporada em Rapa Nui, mas senti como se fosse à primeira. Essa época é de boas ondas lá, pois entram muitas ondulações no hemisfério sul. Chegamos dois dias antes do swell. Foi o tempo para agitar o jet com o Rene, preparar as pranchas e rezar para dar tudo certo.”
EXPECTATIVA
“Toda trip tem seu grau de ansiedade. Surfar ondas de mais de 20 pés, ou 6 a 7 metros, em um lugar desconhecido e junto a poucos amigos é inexplicável. Além de estar numa ilha, a mais de 3.000 km do continente mais próximo e com o oceano Pacifico a nossa volta. Quanta expectativa você acha que nos rodeava?”
O SWELL
“O grande swell chegou com hora marcada na ilha, batendo primeiro do lado da cidade com tanta força que chegou a virarem muitos barcos no porto principal. O agravante para surfar deste lado da ilha foi à direção do vento que estava ruim, deixando o mar ‘storm’, chegando a dar ondas de mais de 10 metros e vento de mais de 30 nós.”
O PICO
“Devido às condições, tivemos que surfar uma onda bem conhecida, mas pouco explorada. É uma esquerda que quebra em frente às pedras, perfeita para o tow-in. Ela é muito volumosa e só funciona se o mar estiver acima de 15 pés. Como estava terral, foi com certeza o melhor pico para surfar na ilha.”
DIFICULDADES
“Eu estava sem uma prancha adequada para aquele tamanho de onda. Cai com a prancha do Koxa e mesmo sem nunca ter usado, surfei como se ela fosse minha. Que prancha!”
SURF
“O dia do surf estava mágico, com sol e terral. Peguei boas ondas, e tanto o René como o Koxa puxaram com perfeição, pois em um lugar como este você precisa confiar no seu piloto. No fim de tarde o Koxa me jogou numa onda especial. O sol estava na minha cara e mal dava para ver a parede da onda. Ao soltar da corda tratei de ir o mais reto possível para evitar o reflexo e então joguei para dentro. Foi quando rodou um tubo enorme e como o sol estava quase me cegando, fiquei o mais colado possível na parede. Segundos depois eu estava vendo uma das cenas mais belas do surf. De dentro do tubo eu contemplava a onda rodando em perfeita harmonia com o por o sol. Este foi um dos momentos mais mágicos da minha vida.”
Fonte: Blog do Koxa – http://blogkoxa.wordpress.com/
!versão em português!
English version is being written … Please come back later… Regards.


























P… eles mandaram muito bem! Que visual, que ondas … Deu até vontade … Mandaram muito bem!!!
altas ondaas… lugar lindo!
Parabens aos dois!
abcs