dezembro 13th, 2009

Viagem: Açores. Natureza e surfe

AÇORES

Lagos, montanhas, reservas florestais, cachoeiras e ecossistemas muito preservados fazem dos Açores um destino atraente para amantes da natureza.

Areais - São Miguel

Areais - São Miguel

São ilhas de verde exuberante e vegetação exótica de espécies endémicas. A flora dominadora e selvagem fez-me sentir verdadeiramente filha da Mãe-Terra.

Horizontes a perder de vista, cachoeiras enormes, grandes encostas e pouca ocupação humana. Dentro da floresta ou a beira mar tinha a impressão de estar no ’set’ do filme Jurassic Park!

Localização:
As nove ilhas do arquipélago português encontram-se a 1.600km da costa de Portugal. Entre as latitudes norte 36°- 39° e longitude oeste 25°- 31°. Isso quer dizer, traçando uma linha reta entre Lisboa e Nova Iorque, exactamenteno meio do Oceano Atlântico!

Há quem defenda firmemente a teoria de que Altlantida, a civilização perdida,situava-se na zona do arquipélago.

Clima:
O arquipélago dos Açores é influenciado pelo ‘Anticiclone dos Açores’, uma zona de alta pressão situada no meio do Oceano. Por isso chuva e vento são frequentes e o tempo pode mudar completamente durante as 24hs de um Único dia.

Os ventos predominantes são de Norte e Oeste e podem chegar até 90km/h. As águas, em torno de 22°, são pouco frias no verão e geladas no inverno. E as temperaturas, de clima temperado, variam entre 12°e 28°C no alto verão.

Ilha por ilha:
São 9 ilhas, a maior ilha tem 700km de extensão e a menor apenas 17km. Seus nomes seguem uma lógica peculiar-portuguesa. A Ilha do Pico é a montanha mais alta de Portugal, chegando a 2350m, no seu topo tem neve no inverno.

Imagem7

A Ilha do Corvo era o refugio dos corvos e corsários. A Terceira é a terceira chegando do continente, terceira maior e terceira a ser descoberta. A Graciosa é chamada assim por suas paisagens encantadoras.

Faial era o nome dado a um grupo de navios de patrulha e guerra. Seu charmoso porto é cheio de historias de batalhas navais. Ali hoje descansam veleiros e navegadores que viajam os Oceanos.
As Ilhas de São Jorge, Santa Maria e São Miguel evidenciam a presença da cultura cristã. A ilha das Flores é toda coberta de flores. Nunca ví tanta Hortênsia. A mais remota e invocada dos Açores, foi incluída em 2009 na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO.

Nas pequenas cidades e vilas, a cultura local é de pescadores e gente simples. A vida pacata só é quebrado por alguma festa religiosa do povoado.

A parte das tradicionais cerâmica e renda portuguesa, as principais actividades financeiras são o cultivo do solo, a produção de laticínios, e o turismo.

Natureza Incrível:

Areais - São Miguel

Areais - São Miguel

Areais - São Miguel

Areais - São Miguel

Line up visual

Line up visual

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Seja da maresia do Atlântico ou da floresta subtropical nas montanhas; ali se respira o ar mais fresco e perfumado do mundo! Quando eu olhava a ilha de longe, do céu ou do mar, sentia muito forte aquela sensação de pequenez e vulnerabilidade perante ao oceano e as forças da natureza. Era impossível não parar, a todo momento, para observar as paisagens coloridas que extasiam os olhos. As mais impressionantes visões são as lagoas formadas dentro das gigantescas crateras vulcânicas e as enormes quedas de agua, das quais muitas caem direto no mar!

Natureza exuberante

Natureza exuberante

As águas limpas e transparentes das muitas cachoeiras, termas e piscinas naturais oferecem um banho renovador. Caminhar nas montanhas e matas é muito gostoso e tranquilo, nas ilhas não há animais perigosos, somente cabras selvagens, coelhos e pássaros.

Nos caminhos pouco, ou nada sinalizados, o único perigo é se perder. São os faróis, os moinhos d’água e ruínas de pedra que indicam o caminho.

No oceano do arquipélago a fauna marinha é abundante, uma infinidade de peixes e crustáceos e diferentes espécies de golfinhos e baleias, incluindo alguns dos maiores tubarões brancos e polvos do planeta.

A observação de Cetáceos é um dos passeios mais emocionantes da ilha. A poucas milhas da costa, podemos encontrar enormes baleias caixote e numerosos grupos de golfinhos em seu habitat natural. “Como é linda a sua ilha!” dizia eu incessantemente ao meu anfitrião,
morador da ilha.

Atividades:
Ali acontece como antigamente, quando as possibilidades do homem eram regidas pelo tempo e condições climáticas. Pode-se dizer que o turismo da ilha se caracteriza como turismo de aventura é tudo pessoal, nada de agências especializadas.

A pesca e caça submarina é o esporte mais popular entre os jovens nativos. A inifidade de peixes faz da pratica o lugar perfeito. ComeceiI a ver a vida marinha realmente acontecer a partir dos profundos 15metros de mergulho livre. São milhões de peixes e alguns de mais de 20kilos. Não é historia de pescador!

Para os turistas europeus caminhadas longas é a pratica preferida. Pelos antigos caminhos de pedras que passam entre rios e cachoeiras, pode-se escalar ate o pico das altas montanhas de até 1.000m. Que caminhada!

Fazer ‘canyoning’ na garganta das cachoeiras é emocionante! e também da muito medo das alturas. A pratica é recente, mas já existem muitos ‘canyons’ preparados.

O vento é inconstante mas forte o suficiente fazer kite. E nos poucos dias de mar calmo foi possível fazer wake. O Surf é “selvagem” e com pouquíssimos praticantes, na maioria
turistas aventureiros. Há muitos spots secretos e ainda não explorados. E embora hajam descrições de spots perfeitos em todas as ilhas, não temos informações que confirmem este fato. Sem duvida, mesmo que ainda não divulgados ou sem acesso fácil, sabemos que bons surf spots existem, sem duvida. Nós mesmos descobrimos alguns!

Greg Long

Greg Long

Broken Board

Broken Board

Boas ondas

Boas ondas

Vento e ondas

Vento e ondas

Line up

Line up

O SURF
Com um pouco de sorte aquilo que poderia ser uma roubada pode ser virar uma aventura radical.

Em 600km de oceano estes topos de montanhas marinhas estão estratégicamente situados para pegar swells de 360 graus. Dependendo das correntes e estação do ano.

Acredita-se que os primeiros surfistas foram homens do serviço militar americano baseados ali nos anos ‘50. Hoje a população de surfistas é baixa pois tem que encarar reefs fortes e condições desafiadoras que desencorajam qualquer iniciante.Açores é um destino ‘heavy’ de surf.

As ilhas recebem swells abundantes e as ondas vem de todas as direções. Estes podem ser rudes e desorganizados, mudando de tamanho sem prévio aviso. E normalmente tem uma duração curta devido à proximidade do arquipélago do sistema climático de baixas pressões de
onde eles são gerados.

A chuva e os ventos fortes são uma constante durante o ano todo e é frequente que ondas acompanhem as frentes húmidas de ventos fortes que vem do oceano.

bay2São Miguel, a maior delas, tem mais estrutura além da maior quantidade de praias do arquipélago, bons reefs e picos de rocha. Ali o surf já se faz presente.

Em agosto deste ano aconteceu o Azores Island Pro2009, uma das etapas do WQS alem de outro evento organizado pelos próprios surfistas açorianos.

Também alguns picos conhecidos na Graciosa. E ondas primeira classe na Terceira..Em outras ilhas, como São Jorge que é incrivelmente íngreme e pouco populada por sua longa historia de terremotos e cataclismos, ha poucas acomodações e acessos, o que faz dos spots ‘hard core’ com destinos do tipo “leve tudo o que possa precisar”.

Geografia:
Os Açores são basicamente topos de vulcões que foram formados por placas tectónicas na crista central do Atlântico.

Erupções vulcânicas mandaram rios de lava para o mar e juntamente com terremotos formaram as ‘fajãs’ (terras planas a beira mar) derrubando as pedras da montanha, formando assim reefs de pedra altamente surfáveis. As fajãs funcionam o ano todo e as ondas que quebram ali
tem força.

Acesso:
ponta3Íngrime é um eufemismo quando descrevemos a costa Açoriana, há pouquíssimas praias e algumas fajãs, e aí esta a barreira de acesso aos spots. Grande parte da costa é inacessível por terra.

Algumas trilhas chegas às comunidades da baixada e a boa noticia é que hoje em dia , ao invéz do asno existem quadriciclos. O ideal seria um barco, mas estes ficam parados no porto esperando as aguas se acalmarem bem para sair…

Não há estradas entre os surfistas e as ondas, somente campos. Então é bom pedir permissão ao proprietário e informar-se se é possível chegar (e voltar) do mar.

Perigos:
Não tem arquivado nenhum registro de ataque de tubarão. Se sabe que já foram capturados os maiores tubarões da história ali. Com até 9metros, que medo! Existem lugares onde pode ser perigoso mas nenhum ataque a surfistas aconteceu (ainda).

Muito mais perigoso são as condições inconstantes da natureza. As ondas podem triplicar de tamanho em questões de minutos e as correntes ultrapassam a sua força de remada. Os reefs são rasos e a maré varia ate 2 metros.

O fundo dos reefs é sempre uma surpresa de pedras e rochas e essas rochas não são lá muito acolhedoras. As medusas men-o-war podem invadir o litoral no verão assim como outra
águas vivas são comuns.

Verão em Flores:
Na minha primeira visita aos Açores, e a Flores, me hospedei na casa do Anthony. Francês, residente na ilha há 5 anos. O melhor mergulhador e caçador submarino do vilarejo de Fajã. Quando ele me disse que podia ser bom surfar la e que haviam frequentemente boas ondas, duvidei. Achei que ele falava isso porque não sabia surfar.

Minha opinião começou a mudar quando vi que a formação das ondas era perfeitas mesmo quando pequenas e que provavelmente na maioria dos breaks o fundo era de pedra. Pedras vulcânicas e pontiagudas. “É ali o spot?” perguntei. “Esse é o mais acessível. Só machuca um pouco se entrar sem sapato”. “Meu irmão já entrou aqui em frente de casa uma vez, ele surfa!”, disse ele empolgado demais. Como se isso fosse alguma super referencia…e porque foi só uma vez?

Os swells não entraram muito fortes naquele mês de julho. Eu observava o mar todos os dias ansiosa. Ondas grandes não vi, mas resolvi entrar ali mesmo no ‘quintal de casa’ com uma 6′6″ que moravam na garagem da casa do Anthony. Não é que dava mesmo para pegar umas ondinhas! “Se rola surf aqui podemos surfar em qualquer lugar aonde a formação das ondas seja boa”, pensei entusiasmada com as possibilidades.

Sai de Flores, com agua na boca. E no meio tempo da volta, procurei bastante e encontrei quase nada de informações sobre os surf spots de lá.

Já na segunda visita eu aterrisava bem no dia da chegada da frente fria, junto com o esperado swell. O pequeno avião de hélice balançava bastante e, diferente do usual, conseguimos pousar em Flores.

Fomos direto conferir as condições do mar. Feito. Estava grande o suficiente para quebrar na frente da casa do presidente, aonde eu chamava de ‘praia de pedra’. Havia chegado uma nova moradora na vila, a Esther, 28, figura, cabelos loiros longos e malucos. Professora de ed. física e também professora de surf.

Era verão, mas verão Europeu.. 22° agua fria e aquele vento. Sem descansar do ‘jetlag’ coloquei meu long e minha touca. e saímos remando do porto velho para fugir do espumão batendo nas pedras.

Anthony, Esther e eu com nossas pranchas velhas, em direçao ao pico a 500m dali. As ondas vinham gordas com 3 metros na serie ( eu acho que era um pouco menos,mas eles juram que estava grande) , e abriam perfeitas para a esquerda e para a direita. Que boas vindas espetacular.

Com os braços exaustos e um sorriso no rosto ralamos um pouquinho as pranchas saindo pelas pedras, e cruzando a plantação de milho até a estrada. Isso é o que chamo de surf selvagem para combinar com a paisagem.

Alguns dias depois, durante uma caminhada, observando a formação das ondas do alto da montanha, avistamos “o” spot. Na chegada do segundo swell do verão saímos com o Carlos, o mais conhecido barqueiro da ilha, em busca das ondas perfeitas. “Só se consegue chegar de barco ou descendo pela cachoeira”.”E verdade, acho que la quebra umas ondas boas, mas nunca vi nenhum surfista ali..” disse ele.

A agua azul-esverdeado profundo e transparente. Fundo de pedra. Perfeito local para mergulhar. Mas hoje o dia é de surf! Chegavam ‘vagas’ (ondas) de duas direções. Elas eram bem visíveis desde o alto mar e vinham gordas e densas ate formar a parede lisinha de mais de 2 metros. As que vinham de oeste quebravam, ai ai ai, quase dentro das grutas dos piratas. E as de oeste subiam atrás das pedras e quebravam abrindo para a esquerda. Duas mais pra dentro e a maior la pra fora com as baleias.

A Esther saltou do barco sem pensar e logo já se ouvia os gritos “uhuuuu!”. Pegamos onda até o inicio da chuva forte. E ate o barqueiro pegou onda, (de barco) no vagalhões. Um dos melhores lugares que ja estive e com certeza o menos crowdeado do mundo! Mas nao conta pra ninguém.

Quem chega ate Portugal para surfar geralmente vai a lugares como Supertubos, Guincho ou Peniche. Poucos se atrevem a ir tão longe. É necessário pegar três ou ate quatro voos para chegar até Flores.

Como chegar :
pela TAP linha aéreas portuguesas
SP/ Rio – Lisboa
€ 1.000
e depois pela SATA linhas aéreas açorianas
Lisboa – São Miguel e outras ilhas
os preços das passagens variam, mas a taxa para prancha é sempre 100 Euros.
Fora cruzeiros transatlânticos e yachts privados não há meios de chegar pelo
mar do continente. Há porém algumas rotas entre as ilhas.
Aluguel de carro é, apesar de caro, indispensável.

Algumas dicas em Flores
onde ficar :
Além dos campings, as acomodações são cheias no verão e
mais vazias e baratas no inverno.

Hotel Ocidental
Hotel, Centro de mergulho e Observação de cetáceos
www.hotelocidental.com
Santa Cruz – Flores
diária 75-140€

Aldeia da Cuada
Charmosa ladeira típica restaurada.
Para quem gosta de silencio e repouso .
www.aldeiadacuada.com
diária 75€

Casa de Atlantida
casas de aluguel a beira do mar
tel: 351 922147602
Fajã Grande – Flores
diária 70-120€

aonde se alimentar:
Café Snack-Bar Costa Ocidental
Restaurante Familiar que serve pratos típicos.
Fajã Grande

Restaurante Por do Sol
Aonde se come o que os proprietários cultivam,
alem de assistir a um belo por do sol!
Fajãzinha – Flores

Por: Helena Kuntz Moura

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