Paddling to glory/Remando para glória
Mais uma temporada chega ao fim. As promesas do El Niño se tornaram realidade e trouxeram momentos que vão ficar para a história.
Esta foi, sem dúvida, a temporada mais movimentada de todos os tempos para o big surfe, em especial, surfe na remada.
Poderíamos facilmente dizer que a natureza foi a grande protagonista dessa história, se não fossem as espetaculares performances de nossos heróis que desafiaram as ondas nos quatro cantos do planeta.
Enquanto swells enormes sopraram em quase todo planeta nos últimos meses, as ilhas havaianas tiveram a mais alucinante prova do poder desse fenômeno climático.
Não é preciso pensar muito para lembrar de momentos insanos, como, por exemplo, a onda de Shane Doiran e Mark Healey em Waimea.
Outro exemplo foi o herói sul-americano Ramon Navarro que levou o Monstre Drop no Eddie Aikau. Impossível também não lembrar da bomba de Felipe “Gordo” e Yan em Waimea que foi destaque em todo mundo. Danilo Couto e Marcio Freire encararam Jaws na remada. Mais recentemete, a volta do campeonato em Todos Santos, depois de uma década, e o espetáculo de big surfe em Mavericks protagonizado pelo nosso ídolo Carlos Burle.
Esses e outros momentos, todos na remada, fazem pensar: até onde vai o limite do desafio entre homem x natureza?
De fato, a temporada viu os maiores swells da história moderna. A realização do Eddie Aikau, evento que não rolava há 5 anos por falta de ondas, teve uma edição histórica.
Não só no Hawaii onde as bahias de Waimea e Peahi (Jaws) acordaram, picos como Maverciks, Todos Santos e muitos outros “desconhecidos” mostraram sua força para o mundo.
Realmente, algo especial aconteceu para o surfe de ondas grandes.
A partir desses momentos históricos, toda a grandeza do oceano e o poder dos homens estão sendo postos à prova. Temos visto imagens que mostram vários Big Riders remando em verdadeiras montanhas de água, que podem muito bem ser as maiores ondas já surfadas na longa história do esporte, apenas com a força dos braços e suas gunzeiras (como são chamadas as pranchas enormes para mares gigantes).
Tudo isso tem colocado o surfe de ondas grandes em destaque com imagens lindas e, ao mesmo tempo, impressionantes que esses big rides estão sendo capazes de fazer na busca por ondas cada vez maiores e mais perfeitas.
Em tempos de Tow in (surfe com auxílio de jet skis), o paddle power (poder da remada) parece voltar com força total. Temos visto verdadeiras proezas no meio de tantas ondulações. Um homem e sua prancha enorme esperando pelo próximo swell. Parece que uma onda Old School ressurge naturalmente e envolve todo waterman, que se arrisca por amor ao esporte e ao oceano.
Neste ano, certamente, muitos recordes serão batidos no Billabong XXL Global Big Wave Awards – o “oscar” de ondas grandes. E mais do que nunca, a categoria Monster Paddle (apenas para surfistas que pegam ondas sem qualquer ajuda de jet ski) tomou o centro das atenções com a elite do esporte ligada em quem será o vencedor. As evidências disso podem ser vistas em vídeos e fotos no site www.BillabongXXL.com.
Muitos big rides poderão ser finalistas para o Monster Paddle Award no décimo Billabong XXL Big Wave Awards, que será realizado na Califórnia no fim do próximo mês de abril. Uma banca de surfistas, fotógrafos e especialistas em ondas grandes irá analisar as imagens disponíveis para
coroar o vencedor do Monster Paddle que receberá 15.000 dólares do total de US $ 130.000 em premiação do evento.
O atual recorde mundial de surfe na remada é bastante discutível. Mas, oficialmente, no Guinness Book, esse recorde pertence a Taylor Knox de San Diego, Califórnia, que dropou uma onda de 52 pés na Ilha de Todos Santos, no México, durante o último grande episódio El Niño em 1998. Embora Carlos Burle tenha dropado uma onda, para muitos, ainda maior neste mesmo evento, quando foi campeão e chocou o mundo. Muitos especialistas apostam numa atualização para o Guinness Book of World Records (o livro dos recordes) neste ano.
São muitos candidatos mas há alguns favoritos. Para nós e muitos nomes de respeito no mundo do Big Surfe, a onda impressionante do brasileiro Carlos Burle na final de Mavericks é uma das mais cotadas.
Foi realmente impressionante o que Burle fez naquele dia. Todos que estavam no canal chegaram a cumprimentá-lo como campeão do evento e ainda não acreditam como ele foi capaz de fazer aquilo ao se jogar naquela verdadeira montanha de água. O próprio Burle afirmou ter sido a maior onda da vida dele. E olha que ele já pegou muita onda grande por aí … “Fiz o que pude e ainda acelerei tudo buscando máxima velocidade… mas acho que os equipamentos do big surf na remada ainda não
suportam condições tão extremas… Eu estava muito confiante mas infelizmente não deu para continuar. Achei que fosse morrer e isso me fez pensar na vida, na minha família e em tudo que já fiz até hoje. Trabalhei e esperei muito por essa onda. Foi a maoir onda da minha vida! Fiz meu papel. Campeonato de ondas grandes é ir lá e pegar as maiores! As big as you can get, as deep as you can go.”
Burle teve uma temporada muito consistente, terminou a temporada em segundo do ranking e é, hoje, um dos mais respeitados Big Riders do mundo. Se o XXL for para ele, será muito mais do que merecido.
Shane Dorian e Mark Healey também estão cotados. Os dois veteranos na caça por ondas gigantes concordam que a onda que dividiram em Waimea foi facilmente a maior onda que já haviam surfado ali. “Eu esperei 15 anos por aquela onda”, disse Dorian. “Dava pra ver a onda chegando minutos antes de quebrar e todo mundo gritando na praia… Nós dois abaixamos as cabeças, começamos a remar e pegamos juntos”, completou.
Dorian acrescentou “Foi demais! Uma onda compartilhada e daquele tamanho… foi com certeza a maior onda que eu já remei, e fazer isso com o meu grande amigo foi muito bom… memorável. ”
Mark Healey tem surfado Waimea por toda vida e é reconhecido por ser um dos mais dedicados big riders da atualidade. “Esse foi o dia mais importante que já tive em Waimea”, disse Healey.
A onda fechou a bahia e varreu vários surfistas, que foram engolidos pela massa branca da espuma. Mas, para Healey, um mergulhador experiente com a capacidade de prender a respiração por mais de cinco minutos, foi uma outra história.
Além desses nomes, outras bombas como de Ramon Navarro, Alex Martins, Twiggy Baker, do campeão mundial Greg Long, entre outros big rides estão na briga pela maior onda na remada dessa temporada histórica.
Muito já aconteceu nesse curto período de tempo, mas as surpresas não acabaram. Todos ainda esperam pelo que está por vir no cenário do big surfe mundial. Eddie Aikau e Mavericks já surpreenderam o mundo e o Todos Santos Big Wave, que teve sua última edição há mais de uma década, ressurgiu mostrando que este ano foi especial e muito mais para o big surf na remada.
Quem será nomeado o grande vencedor? Uma coisa é certa: todos já são vitoriosos e quem mais ganhou com isso foi o esporte. Vamos aguardar para ver quem será escolhido. Façam suas apostas!























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