novembro 14th, 2010

Mestre e Aprendiz nas ondas grandes


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Por:
Priscila Boabeyd
Introdução por: André Altmann

Burle + Gordo: Mestre e Aprendiz

Burle + Gordo: Mestre e Aprendiz

Estava eu trabalhando em minha jornada noturna, atualizando FB e Twitter da PARAFINA, quando aparece a Priscila no chat: “André, falei com o Felipe Cesarano e ele me convidou pra ir até a casa do Burle pra gente fazer uma matéria!”

Pô, massa! Conseguir juntar duas gerações do big surf brasileiro em uma entrevista exclusiva! Mas o que a gente não imaginava é que a entrevista ia se transformar num bate papo tão interessante e, até mais que isso, uma aula para todos nós que vivemos o surf, seja profissionalmente, ou como lazer.
Carlos Burle, 43 anos de idade, é uma lenda. Um cara que dispensa apresentações. Campeão Mundial de ondas grandes e um dos maiores atletas brasileiros de todos os tempos. Profissional ao extremo, ele encara tudo o que faz com uma determinação ímpar. E com isso vem abrindo várias portas para o esporte, ajudando a levar o surf à condição de um dos mais populares do país.

Felipe Cesarano, o “Gordo”, é hoje um de seus pupilos. Do alto de seus 23 anos de idade, já viveu muita coisa que poucos tiveram a oportunidade (ou às vezes a necessidade) de viver. Free surfer e big rider profissional, o Gordo está agora entrando em uma nova fase de sua carreira, com ótimos patrocínios e um grande apoio de seu mestre para, a partir desta temporada havaiana, correr o mundo para encarar as ondas gigantes, onde quer que elas estejam.

Confira abaixo uma pequena amostra do que você encontra nas páginas da Revista Parafina: uma entrevista descontraída e inédita que mnostra como pensam, como se preparam e o que esperam do futuro estes dois ídolos do surf brasileiro. Com vocês, Burle e Gordo!

Priscila: Burle, eu já tinha trocado uma ideia com o Felipe, descobri que Gordo é um apelido de escola (risos), e eu perguntei pra ele em relação ao colégio, estudo, como é que se concilia, quando a gente é adolescente, estudar e pegar onda. Porque, geralmente, o surfista é conhecido por matar aula pra pegar onda, tem todo aquele lance de não estudar, e eu queria saber de vocês, como é que foi, vocês faltavam muita aula pra poder pegar onda?

Burle: Bem, eu só fiz o segundo grau, depois eu optei em não fazer o vestibular. Eu até gostaria de ter feito…

Priscila: Pra que você queria prestar?

Burle: Olha, eu gosto muito de natureza, eu queria fazer (medicina) veterinária. Era um sonho que eu tinha desde criança. Na realidade o grande sonho sempre foi qualidade de vida, e eu achei no surf essa ferramenta pra viver perto da natureza, ter saúde, exercitar tudo isso que eu sempre gostei. Mas eu senti muita dificuldade, realmente, pra ir conciliando os estudos com o esporte. Não pelo tempo, porque eu acho que tempo tem, o tempo não é a questão principal. O pior mesmo é que você começa a gastar muita energia, porque o esporte tem essa relação com a areia, o sol, a água salgada, isso desgasta muito fisicamente. Então eu comecei a perceber que eu ficava sem energia pra estudar. Eu ia surfar e ficava cansado, muito cansado. Eu tinha que ir dormir mais cedo! Em contrapartida, eu fui percebendo que, com o tempo, isso foi me dando uma educação como pessoa. Enquanto meus amigos gastavam essa energia com coisas que não eram interessantes, fazendo baladas, se desgastando, eu tava dormindo cedo, me alimentando bem pra poder ter energia pra surfar e estudar. E consegui concluir até o 2º grau sem repetir nada. Mas sinto falta da faculdade. Sinto falta, gostaria de falar mais línguas, aprendi inglês na estrada mesmo, é necessário. Agora, o nosso esporte tem isso, é uma coisa natural, você tem que viajar.

Priscila: E você, Felipe, já é de uma geração que ta aí, na balada, tá sempre saindo, como é que você vê isso?

Gordo: Na verdade, se eu for falar de balada, eu sou jovem! Eu já fui muito focado em surf de competição e o negócio não fluiu, e quando eu optei virar free surfer e depois comecei a pegar ondas grandes, a coisa aconteceu mais naturalmente. Mas como eu sou jovem acaba que tem uma namoradinha ali, acabo saindo um pouco. Agora, eu tento me regrar. Na época de Hawaii eu tento não sair, tento focar. Eu tô treinando com o Burle aqui na Body Tech, eu tô dando um gás pra chegar bem preparado pra temporada, mas acho que são fases da vida.
B: É, você pode fazer tudo com equilíbrio.
P: Não pode também dispensar o divertimento…
B: Eu acho que é necessário o ser humano se divertir, senão as coisas não fluem. Se não for verdadeiro, a vida não conspira a favor. Se você não se divertir, se não estiver procurando a sua felicidade, sua realização… Agora, você tem várias formas de gastar sua energia. Por isso que eu acho injusto e hipócrita até essa imagem que o surfista tem de estar relacionado diretamente às drogas, porque o nosso esporte nem nos permite. Se você for um cara drogado, você não vai conseguir ter uma boa performance, você não vai conseguir ter energia pra pegar aquelas ondas grandes. A droga existe, ela está inserida no contexto social mesmo. Quando você se torna uma referência, você tem que saber lidar com isso de uma forma mais profissional, inteligente. Porque você é um exemplo.

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Revista Parafina Edição 31

Revista Parafina Edição 31

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